quinto andar

Quinto Andar

SURGE MAIS UM UNICÓRNIO BRASILEIRO!

A Softbank fez investimento Série D de 255MM de dólares na startup, jogando seu valuation (não informado) para além de 1 bilhão de dólares.

É muito importante para o fortalecimento do ecossistema brasileiro que mais unicórnios surjam em nosso país.

Parabéns, Quinto Andar Team!

 

https://news.crunchbase.com/news/brazils-newest-unicorn-quintoandar-raises-250m-series-d-led-by-softbank

magritte

Uma ideia serve para quase nada

Acho muito pertinente essa passagem do livro do Eric Ries, “A startup enxuta”. Vejo alguns colegas, principalmente da Academia, cheio de pudores com suas ideias de produto, evitando testá-las no mercado, de procurar apoio, etc, por medo de “roubarem sua ideia”.

Esse medo, como diz Ries, é infundado. Mas, acrescento um problema: este medo, em alguns casos, é apenas uma desculpa para não “botar a cara na rua” e verificar se a ideia é isso tudo mesmo ou apenas mais um insight que não deu certo (mas que pode se tornar alguma outra coisa útil com iterações e pivots).

Neste caso, a defesa da “ideia perfeita” se torna um subterfúgio do desafio de torná-la realidade, e, com isso, encarar todas as intempéries que vem junto nessa empreitada. Lembra “A obra prima incomum”, de Balzac: um pintor que buscou a vida inteira a pintura perfeita, mas que nunca conseguiu sair da tela em branco.

Por esse lado, entendo o medo. Afinal, empreender, tornar uma ideia realidade, é, de fato, um trabalho hercúleo. Diria, quase trágico, porque a necessidade de realização de uma ideia é constante, nunca acaba, e a chance de dar errado é enorme. É preciso recriá-la a todo o momento, porém sem garantias que dê certo.

Sim, não há garantias. Sinto muito: ter uma ideia nova não te dá o direito de exclusividade do mercado potencial que ela pode criar. Se no momento de criação, uma startup não tiver concorrência direta ou indireta (o que é muito difícil), no dia seguinte terá. E, provavelmente, com soluções melhores que a sua, visto que elas partem de um acúmulo de aprendizagem de descoberta de cliente que sua própria startup gerou.

“Mas essa ideia foi a coisa mais criativa que inventei na vida!”. Não, não foi. Ideias são mais comuns e ordinárias que cafezinhos no intervalo de expediente. Tem todo o dia e a toda hora. O verdadeiro gesto criativo não está em inventar uma ideia, mas torná-la realidade. Ao tentar tornar uma ideia realidade, você terá que recriá-la o tempo todo, de tal maneira que ao final de algum tempo a ideia original estará completamente alterada. E é essa a função de uma ideia: despertar o desejo de realização e ser descartável.

Como no quadro de Magritte, em que o pintor olha um ovo e pinta um pássaro, o empreendedor olha uma ideia, mas realiza outra coisa. A invenção não está na ideia, mas no que ela permite criar.

Uma ideia serve para quase nada. É apenas uma centelha, que se apaga fácil sem a chama do empreendedorismo. Empreender é o desejo de realizar. Quase como o amor, é um verbo intransitivo. E é essa paixão que dá validade a uma ideia, e não o contrário.

Eu ainda sou mais radical: um empreendedor que consegue tornar realidade uma ideia que não é dele é mais digno dessa ideia do que o autor dela. Ele é o verdadeiro artista.

“Você talvez fique surpreso de saber que a objeção mais comum que escutei ao longo dos anos construindo MVPs é o medo de que os concorrentes – em particular grandes empresas estabelecidas – roubem as ideias de uma startup. Quem dera fosse tão fácil ter uma ideia roubada! Parte do desafio especial de ser uma startup é a quase impossibilidade de ter uma ideia, a empresa ou o produto percebidos por qualquer um, quanto mais por um concorrente. De fato, muitas vezes dei a um empreendedor com medo desse problema a seguinte missão: considerar uma das ideias (um dos insights de menor importância, talvez), descobrir o nome do gerente de produto pertinente de uma empresa estabelecida, que tem responsabilidade por aquela área, e tentar fazer com que aquela empresa roube a ideia. Ligue para ele, escreva-lhe uma memorando, envie-lhe um press release – vá em frente, tente coisas assim. A verdade é que a maioria dos gerentes, na maioria das empresas, já está sobrecarregada com boas ideias. O desafio deles está na priorização e na execução, e são esses desafios que dão a uma startup a esperança de sobrevivência” (p.101-102).

Obs.: Esse comentário serve somente para a ideia pura, um insight, a total abstração, sem patente ou plano de negócio montado, por ex..

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